terça-feira, 8 de julho de 2014

Para aqueles que reclamaram que os meu contos estavam muito longos (preguiçosos) e muito "pornográficos". Aqui vai um conto mais curto e mais "suave".

________________________________________________Iara


   Na casa ao lado moravam duas pessoas, duas mulheres. Mãe e filha. Pois a senhora evangélica, puritana, um exemplo de mulher, era única que se podia ver. Mas pela persianas do quarto dos fundos era possível ver, durante a noite um corpo de uma bela mulher que nunca saía de casa.
   Uma morena de cabelos lisos que, apesar de suas roupas que cobriam praticamente o corpo todo, notava-se que era uma mulher de curvas perfeitas e trabalhadas unicamente pela natureza.
   Seus seios marcavam suas roupas que, mesmo extremamente recatadas, não escondiam aquela perfeição de mulher. Iara era seu nome.
   Os boatos que corriam à boca do povo era que, o antigo morador da minha casa ficou enfeitiçado por ela. Da mesma forma que eu, toda noite ele esperava que ela passasse pela janela só pra ver aqueles poucos segundos de sua beleza. Marcos era seu nome.
  Durante um ano ele a observou. Até que um dia, quando a mãe da jovem teve que sair às pressas para resolver problemas familiares, Marcos tomou coragem e bateu à porta de Iara. Mas sem sucesso, ela não o atendeu. Mas de alguma forma, ela já havia percebido que ele a observava.
  Durante a noite seguinte, ainda sozinha, Iara levantou as persianas. Ele estava escondido atrás de uma cortina branca em seu quarto. Cortinas quase transparentes que denunciavam que ele estava lá.
   Iara sorriu acanhada e ele, lentamente, puxou a cortina para o lado, mas ela se escondeu. Foi assim por vários dias, mesmo depois que sua mãe retornara. A situação começou a piorar, pois Marcos já estava apaixonado. Então ele se encheu de coragem e foi falar com a mãe de Iara. Ela, no entanto, surpreendeu Marcos, que achava que ela não aceitaria, que estava superprotegendo a filha. Mas ela exigia um comportamento exemplar de Marcos.
   Como também era do consentimento de sua filha, eles começaram a namorar, sempre na casa da mãe dela e sempre com o maior respeito. Até o culto evangélico Marcos começou a frequentar. 
   A unica coisa que ele podia fazer era beijá-la nos poucos momentos que sua mãe se ausentava da sala e fazer "justiça" com as próprias mãos, quando na solidão do seu quarto.
   Nessa, passaram-se oito meses e o desejo de Marcos só aumentava. Só havia uma solução. O homem de muitas mulheres e que nunca havia conhecido alguém como ela, pediu Iara em casamento.
   Foi uma cerimônia simples com amigos e poucos parentes. Marcos estava ansioso para despir aquele corpo moreno e intocado. Mas, para a surpresa de Marcos, após longos beijos e excitação, quando ele começou a puxar a alça de seu vestido, Iara parou suas mão sedentas e balançou a cabeça, sinalizando Não. Ela correu para o quarto e começou a chorar. Ele perguntou se ela havia se arrependido, mas ela disse que não, que o amava, que apenas tivesse um pouco de paciência.
   Apesar de desolado, Marcos não se importou, já havia esperado oito meses. Uma noite a mais não seria problema. 
   Mas os dias foram passando e a história se repetia. Iara não explicava, mas continuava repudiando o sexo. Ela cuidava dele como qualquer homem gostaria de ser tratado. A casa era muito limpa e arrumada. A comida extremamente bem feita e saborosa, mas na cama ela não conseguia se entregar.
   Marcos procurou a mãe de Iara e ela também pediu para ele ter paciência. O tempo foi passando e a situação começou a ficar insustentável. Marcos saía com outras mulheres mas, sua esposa sempre estava em seus pensamentos.
   Dizem por aí que, após um anos de casamento e espera, Marcos num ato de desespero, se abriu para alguns amigos de longa data e contou sua situação. E eles com aquele pensamento machista, disseram que era inaceitável e que ele deveria "tomar" à força aquilo que lhe era de direito.
   Sob efeito do álcool, numa noite, Marcos chegou em casa e foi direto para o quarto, onde Iara repousava. Sem acender a luz, ele só gritou o nome de sua amada e rasgou sua roupa. Ela sem entender oque estava acontecendo, tentava se cobrir e perguntava assustada por que ele estava fazendo isso. Sem resposta.
   Ele a segurou na cama, tapou sua boca com uma das mãos, abriu o zíper e começou a violentá-la.
No rosto de Iara apenas uma lágrima escorreu. Ela ficou em silêncio então. Com a percepção distorcida, Marcos chegou a pensar que ela havia consentido. Mas não, seu corpo permaneceu imóvel, como um cadáver, até que ele saciasse seu desejo sexual.
   Após terminar, Iara permaneceu ali, imóvel, com os braços abertos e com um olhar perdido. Marcos olhou para ela e disse que ela o forçou a isso. Mesmo bêbado, ele percebeu a besteira que fez e saiu do quarto chorando. Ele foi para a cozinha e acendeu as luzes. Sobre a mesa, dois pratos postos e duas velas decoradas com flores e laços e pelo chão pétalas de rosas. então Marcos olhou à sua volta e percebeu que Iara havia preparado uma surpresa para ele. Ele se aproximou da mesa e viu um envelope semi-aberto. Puxou o bilhete e leu em voz baixa:
 - "Meu amor, nunca tive coragem de contar oque aconteceu, por medo de você me rejeitar, pois quando pequena, fui abusada pelo meu padrasto. Por isso minha mãe nunca mais se casou. Por mim. Para que isso não acontecesse novamente. Mas hoje estou segura e sei que você me respeita e me ama de verdade. Então hoje eu tenho certeza que estou pronta para me entregar para você. Estou te esperando em nosso quarto. Te amo."
   Marcos sentiu uma dor em seu peito que jamais havia sentido. ele caiu em desespero e não tinha coragem de voltar ao quarto e olhar para os olhos de sua mulher. então ele foi até a gaveta, pegou uma faca e cravou em seu peito.
   Se é tudo verdade? Não sei. Oque se sabe oficialmente é que Iara é viúva e nunca sai de casa. Dez anos se passaram. As histórias correm, viram lendas, contos. Mas eu sei que ela nunca mais vai olhar para a minha janela como ela já olhou um dia.