segunda-feira, 20 de julho de 2015

O Diário de Um Suicida

   A porta estava entreaberta. Ainda sinto a presença de meu irmão. Algumas fotos na parede estão soltas e balançando ao vento que vem da janela aberta. As cortinas estão amareladas e as nuvens lá fora estão cinzentas. Eu sento na cama dele e deito sobre o travesseiro. Me vem uma dor e uma culpa - Será que eu poderia ter feito alguma coisa?
   Levanto e abro a gaveta do único criado mudo, ao lado da cama. Quem sabe alguma lembrança do meu irmão. Parece vazia. Coloco minha mão no fundo da gaveta, há algo lá.
   Então eu puxo. Acho que é um livro. Viro a capa amarronzada, um pouco mal cuidado. É um diário. dou uma folheada, foram poucas páginas escritas. Então começo à ler.

                                                            *     *     *
   "Isso parece coisa de menininha. Bom, mas o psicologo da empresa falou que era pra eu começar a escrever tudo oque acontece comigo, meu dia a dia. Não custa nada tentar. Meu nome é Fábio Lima, mas no trabalho me chamam de "Lama". Sabe como é, né? Quando te pegam pra "zoar" não adianta reclamar. Mas até eu gosto desse apelido. Já são tantos anos.
   O doutor Mauro, o psicologo da empresa, disse pra eu escrever sobre tudo, então vou falar sobre minha namorada. A gente vive em guerra. Ela acha que está sempre certa e eu acho que eu estou sempre certo.
   Eu a conheço há cinco anos. Eu me mudei pra mesma rua em que ela morava, e vinha de outro relacionamento. Foi como mágica. Ah, "peraí" ficou meio gay isso aqui. Ah, deixa pra lá, ninguém vai ler mesmo. 
   Ela estava sentada na frente da casa dela, na calçada, e eu encostado no meu portão. quando eu a vi, tive certeza que ela ia ser minha namorada. Julia era seu nome. Algumas semanas depois, ao som de Roxette, rolou o primeiro beijo. Desse dia em diante, a gente já tinha certeza que ia ser pra sempre.
   Era tudo muito bom, apesar das brigas, eu sabia que ela gostava muito de mim e eu também gostava muito dela, mas depois de três anos de namoro e as "amigas" que só queriam ver o "bem" dela, começaram a dar palpites e a coisa só foi piorando. Ela tinha a mania de comparar o casamento dessa amigas ao nosso. E veio a separação. Pelo menos umas três vezes, mas a gente sempre voltava. Por quê elas tem essa mania de querer mudar? Bom, chega por hoje. Tá tarde e eu vou dormir.

                                                             *     *     *
   Passei alguns dias sem escrever. Topei com o psicologo e ele mandou eu não parar. Problemas no trabalho e brigas em casa. Ela tá tomando banho agora. Discutimos hoje à tarde. Agora eu tô escrevendo aqui no quarto. Não quero que ela saiba desse diário.
   Vou confessar, não sou um cara romântico. Mas, isso nunca foi problema para ela. Mas o marido das amigas falam para elas e ela quer que eu faça o mesmo. Na boa? Esses caras que vivem falando "eu te amo" todos os dias, saem com outras mulheres frequentemente. Mas o "eu te amo" não deixar gerar desconfianças. Eu sempre fui fiel. Não sei se eu sou meio careta mas, se tá bom em casa (se é que você me entende, diário?) sexo legal, companhia agradável, não tem porque eu procurar fora.
   Ih, caralho! Ela saiu do banho. Parei por...

                                                             *     *     *
   Mais uma noite, (não dá pra escrever durante o dia). Ela foi na casa dos pais. Acho que essa ideia de escrever tá me ajudando. É como se eu estivesse desabafando com um amigo, e eu tenho vários mas, certas coisas não dá pra conversar com ninguém.
   Hoje foi um dia cansativo. Tive uma "puta" discussão com um cara muito folgado lá no trabalho. quem tava perto até se afastou, achando que ia dar briga, mas não é a minha. Às vezes, uma palavra bem dita fere mais que um soco.
   Quanto a Julia e eu, fizemos uma trégua. Ontem à noite foi muito bom, transamos como se não fizéssemos isso há meses. Talvez isso que ainda faça nosso namoro durar tanto. Um sabe como agradar o outro. O dia foi tenso, chega por hoje. Amanhã é sábado e vou tirar o final de semana pra curtir.

                                                             *     *     *
    Hoje é terça feira. O final de semana foi uma droga. Só brigas e ofensas. Chegamos a um consenso. Não dá mais. Eu gosto dela mas, desse jeito não dá. vou esperar, dar um tempo, ela é uma boa pessoa, mas muito grossa e estúpida. Quem sabe algumas semanas longe ela não muda.

                                                             *    *     *
   Cretina, ordinária! Já tô sabendo que ela tá com outro cara. Acabou, ela morreu pra mim. 
   Acabei brigando hoje de novo e me mandaram falar com o psicologo outra vez. Vou acabar sendo demitido. Meu chefe é muito gente boa mas, não posso abusar. O doutor Mauro me receitou uns calmantes leve mas, hoje não vou tomar. Vou sair pra beber com os amigos. Não vou ficar sozinho. Vou nessa. 
  
                                                            *     *     *
   Isso aqui deveria se chamar semanário e não diário. Tô muito mau pra ficar escrevendo essas bobagens. Saí com outra mulher, bebi muito durante esses dias. Mas ainda tô incomodado. Minha ex namorada vive procurando desculpas pra falar comigo. Porra! Já não tá com outro? Por quê essa preocupação de me informar de tudo que tá fazendo?
   Tô cansado...

                                                            *     *     *
   Oque foi que eu disse ontem? Ela fica atravessando o meu caminho e, a gente acabou transando. Ela disse que não gosta do cara com quem ela tá. Eu não dou a mínima. Foi ela quem errou, não eu.
   Foi só sexo. Ela fica dizendo que vai terminar com ele e coisa e tal. Mas nenhum cara aceita que uma mulher que já foi sua e tenha ficado com outro e volte a ser como era antes.
   Conheci outra garota numa loja, quando estava comprando uma camisa. Ela é legal. Saímos duas vezes e, parece que ela tá curtindo. Não dá pra arriscar voltar com a ex namorada só porque a gente tem uma química legal na cama. Até dei uma parada na cerveja.
 
                                                            *     *     *
   Hoje falei com Adriana, a garota da loja. Disse pra ela que eu transei com minha ex. Não sei onde eu tava com a cabeça! Talvez eu esperasse que ela fosse ficar brava, brigar mas, talvez compreendesse. Mas não foi oque aconteceu. Acho que estou prestes a fazer a maior burrada da minha vida, voltar com a Julia. Ela fica me pressionando, mostrando arrependimento mas, porra! Se ainda gostava de mim, por quê foi fazer isso?

                                                            *     *     *
    Estou a duas semanas sem escrever, Porque tava tudo legal na minha vida. O trabalho tava bom. Fui transferido de área. O doutor Mauro acho que eu não precisava mais dos calmantes, Minha relação com a Julia estava indo há mil maravilhas. Mas, sempre tem um porém. As brigas começaram hoje de novo. Ela foi demitida há alguns dias, ela fica mais tempo em casa e consequentemente brigamos mais. Até parece que somos casados. Tá complicado. Já não temos mais aquela cumplicidade, não tenho mais confiança e, ultimamente até a atração física, que sempre foi nota dez, está se apagando. Acho que o desgaste é iminente. Não sei até onde vamos.

                                                            *    *     *
   O quê que tá acontecendo comigo? Eu fico com uns pensamentos estranhos na minha cabeça. Tô sem animo pra nada. Os amigos ligam, me chamando pra sair, pra curtir uma balada mas, não consigo sair de casa. Tô infeliz no trabalho. Eu não...
    Não tô mais afim de escrever. Vou tomar um calmante que sobrou na cartela e dormir um pouco. Talvez eu escreva um pouco, mais tarde. Meu irmão ligou me chamando pra viajar com ele amanhã mas, sei lá. Ele é caminhoneiro e faz umas viagens longas. Não posso faltar no trabalho.

                                                             *     *     *
    Hoje é segunda. Tá começando aquela maldita novela. Que beleza terminar a noite assim. Tem alguém batendo na porta. Deve ser o sindico chato. Vou lá e já volto...
    Era o vizinho falando que tem uma infiltração vindo da minha parede. Mais essa agora. Aquela droga de tubulação da cozinha. Tem uma mensagem no celular. É da Julia: "quero falar com você." Não. Não vou retornar. Foi ela quem transformou minha vida num inferno. Tô muito desanimado. Quando eu passava com o psicologo da empresa ele dizia que eu era propenso à depressão. Tenho que ocupar minha mente com algumas coisas e parar de pensar bobagem.

                                                            *     *      *
   Ontem, depois que terminei de escrever, Julia apareceu na minha porta. Oque começou com uma conversa de reconciliação, terminou com ofensas e acusações. Hoje não fui trabalhar e passei o dia bebendo no bar. Eu não tô feliz. Então por quê ficar insistindo nessa merda de vida? Preciso de um comprimido e parar de...
   Eu não quero ficar pensando nessas coisas. Ninguém me ligou hoje. Nem meu irmão. Às vezes dá vontade de desistir de tudo. Será que alguém vai sentir minha falta se eu não estiver mais aqui? 
   Tenho medo de ser castigado. Que Deus me perdoe...............................................

                                                          Fim do Diário

   - Ah, Fábio, meu irmão. Por quê você não se abriu comigo? Não queria que você partisse dessa vida assim, tão amargurado, tão infeliz. Agora tudo que eu tenho é esse diário. Um registro de toda a sua dor, que, talvez só não foi maior do que a minha ao receber a notícia que você tirou sua própria vida. Que se jogou dessa janela.
   E o pior é que todos nós sabíamos que, no fundo, Julia nunca amou alguém mais do que amou você. Pena que os dois tomaram caminhos tão diferentes e tão errados. 
   - Que sua alma descanse em paz.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A Escolha

Esta é a história de um jovem casal apaixonado e em meio as crises dessa idade, Michelle e Adriano. Eles vivem a intensidade de uma paixão quente e avassaladora. A cada encontro uma faísca dispara em seus corpos e cada minuto se torna uma hora de muito amor e desejo.
Era final de ano, a alguns minutos da virada e Adriano está curtindo na praia com os amigos até sua namorada chegar com as amigas.
Uma morena de corpo escultural começa a flertar com ele. No embalo do momento e incentivo dos amigos, Adriano, que sempre foi fiel à namorada, cai em tentação e beija a bela mulher. No exato momento, à beira da praia, Michelle assiste a tudo com as amigas. Uma lágrima escorre do seu rosto e ela saí correndo entre a multidão. Adriano percebe a presença de sua namorada e deixa a morena e sai correndo atrás dela, mas a perde na multidão.
No céu, uma explosão de fogos de artifício. Mas não há nada para se comemorar.
Os dias passam e Adriano tenta consertar a besteira que ele fez. Tudo em vão, pois Michelle não quer falar com ele e evita frequentar os mesmos lugares que ele.
As semanas passam e a mágoa da bela garota não diminui. Num ato desesperado, Adriano amarra uma corda no lustre de sua casa e envolve em seu pescoço. A vida para ele, sem Michelle, não valia mais a pena. Ele, então, fecha os olhos e pula da cadeira. O lustre cai e ele não consegue alcançar seu objetivo. Determinado à seguir em frente, ele vai até o banheiro, abre a gaveta e pega vários comprimidos de sua mãe e toma todos de uma vez. As horas passam e Adriano fica com um tremenda dor de barriga e vai para o hospital. Sua tentativa mais uma vez, fracassa. Ele é tratado, medicado e sai do pronto atendimento. Na saída ele encontra uma amiga de sua namorada. Os dois conversam e ela dá uma notícia à ele que muda tudo oque ele queria fazer. A amiga, preocupada com Michelle revela que ela está grávida. Michelle e Adriano vão ter um filho.
Aquilo caiu como uma bomba. mas ele estava muito feliz e na ansiedade de falar com sua amada e, quem sabe, reverter a situação, sai correndo em direção à casa dela. Anestesiado pela feliz notícia, Adriano atravessa a rua sem olhar para os lados e é atropelado por um ônibus coletivo. Arremessado para trás, de costas para o asfalto, Adriano percebe uma multidão se formando em volta da frente do ônibus e grita: - Ei! o acidentado sou eu. Ninguém vai chamar uma ambulância? - Sem sucesso. Ninguém responde. Ele, então, se aproxima e vê seu corpo ensanguentado em baixo da frente do ônibus. Sem entender oque estava acontecendo, ele se afasta e vê outras pessoas vindo em direção do movimento e as pessoas o atravessam. Como se ele fosse fumaça, como se fosse o ar. Então uma luz desse sobre ele e um homem negro vestido de branco aparece e lhe estende a mão direita. Adriano começa a entender oque aconteceu.
quando ele toca sua mão, imediatamente ele aprecem no hospital. Adriano pergunta:
- Eu morri?
- Não. - Reponde a figura desconhecida.
- Você é um anjo? - Pergunta. E Com um sorriso de desdém, o homem responde.
- Não. eu vou apenas acompanhá-lo na transição. Mas se você quiser, pode me chamar assim.
- Qual transição?
- Você está em coma neste hospital e vai ter sete dias para escolher se volta para seu corpo ou faz a transição. - Diz o "anjo".
Adriano, sem pensar duas vezes, responde: - Mas é claro que eu quero voltar para o meu corpo.
O Homem coloca a mão sobre o ombro do jovem rapaz e o guia através da parede, levando até o quarto em que repousa seu corpo em estado de coma, explicando:
- Se escolher voltar ao seu corpo, voltar a viver, não posso garantir que vai ser como antes. Não prevejo o futuro.
- Como assim? - Pergunta Adriano.
- Foi um acidente grave. Talvez você acorde com sequelas. Talvez fique "vegetando" numa cama pelo resto de sua vida. Então escolha bem. Em sete dias eu volto para levá-lo a um novo estágio da sua vida ou você volta e cumpre seu destino. Seja ele qual for.
Adriano aproxima-se de seu corpo e observa-o por alguns segundos. Quando se vira para perguntar algo ao para o anjo. ele não está mais lá.
Cai a noite e ele sai do hospital e começa a vagar pela cidade. ninguém pode vê-lo, ouvi-lo ou senti-lo.
Um dia se passa e Adriano vai à casa da namorada. Atravessa as paredes em sua forma ectoplásmica e vai até o quarto dela e a encontra chorando. Ele se aproxima e tenta tocar seu rosto...em vão. - eu estou aqui. - Diz ele. Mas ela não pode ouvir.
À partir daí, Adriano passa a seguir todos os passos de Michelle. Numa agonia sem fim, Adriano tenta de todas as formas, acreditando que seu amor tão forte possa fazer com ela sinta sua presença.
A namorada passa a visitá-lo no hospital todos os dias, mas os médicos nunca dão boas notícias, para ela e para os familiares dele. Adriano não responde a nenhum estímulo.
Cinco dias já se passaram e Michelle, com a ajuda da amiga, toma uma decisão. Não pode colocar uma criança no mundo sem a presença do pai e resolve fazer um aborto.
Adriano fica desesperado, pois sabe que não vai poder impedi-la.
as duas seguem para uma clínica clandestina e marcam o aborto para dois dias depois. ela faz o pagamento e sai de lá chorando. Adriano para em frente à ela e grita: - Não faça isso. Por favor, eu vou voltar. - Mais uma vez em vão. ela atravessa seu fantasma e continua em direção ao táxi.
Numa última tentativa de impedir que sua amada cometa esse erro, no alto de um prédio, ele grita, implora pela presença do anjo. Nada acontece. Ele se ajoelha e começa a chorar.
- Por favor! Me ajuda. Eu... eu sei que você pode me ouvir. Me ajuda.
E quando tudo parecia perdido, a mesma luz que aparece no dia do seu acidente, cobre seu corpo e o anjo aparece, dizendo:
- Eu não posso. Eu nem tenho poder pra isso.
- Ela vai tirar meu filho. Faça ela me ouvir, me ver, por alguns minutos. - Suplica em desespero.
- Você pode escolher voltar para o seu corpo mas, não posso garantir que você vai vai ficar bom ou conseguir impedi-la. - Explica o anjo.
- As pessoas rezam por milagres todos os dias. Faça um na minha vida. eu vou com você. Eu faço a transição, mas me deixe falar com ela.
- Sinto muito. - Responde ele e desaparece mais uma vez.
Determinado a impedi-la, Adriano continua a seguir sua namorada e hora após hora, minuto após minuto, tenta falar com ela.
Sétimo dia. Nuvens negras cobrem o céu, o vento frio cortando a pele como uma navalha e nem isso faz com que Michelle desista. Ela e a amiga vão à clínica de aborto. Na sala de espera, sentada num sofá escuro ela fica observando as paredes cinzas e sombrias do local.
Uma enfermeira chama-a até a sala e manda ela deitar em uma mesa cirúrgica que ela vai prepará-la para o procedimento. o médico logo chegará.
Adriano se aproxima de seu rosto e coloca sua mão sobre a dela. Ajoelha ao lado da mesa . Ele quer que ela o sinta, mas não é possível. então ele sussurra:
- Eu sei que você não pode me ouvir. Mas meu amor você sempre sentiu. Quando eu estava mau e você sem saber, me ligava pra saber como eu estava. Isso não mudou. Eu ainda amo muito você.
Adriano se levanta e vai se afastando de costas até que, como num milagre, esbarra numa mesinha de equipamentos cirúrgicos e derrubá-a no chão.
Michelle se assusta e desce da mesa: - Meu deus! - Não havia janelas abertas, não havia ventilação, mas a mesa caiu. Ela olha para os lados e diz: - Adriano? Amor?
ele começa a sorrir e se aproxima dela, mas ela ainda não pode ouvi-lo. O médico entra na sala e vê a garota em pé e manda ela se deitar novamente, Michelle diz que não. Que desistiu.
_ Não. Você está nervosa. - Diz o médico - Isso é natural. Volte para a mesa. Isso vai acabar logo. 
Ele segura forte em seu braço e ela tenta soltar.
- Solta ela ela seu idiota. - Diz Adriano tentado bater na cara no médico.
Ela tenta se livrar e ele continua segurando-a pelo braço, até que, nos vários golpes que ele golpeava no ar, sem sucesso. Um acerta o médico.
Michelle sai correndo para fora da clínica, sem sua amiga, que estava no banheiro, e, sob a chuva,  continua sem rumo. Até que ela para e consegue ver uma silhueta desenhada pelas gotas de chuva que rebatem o corpo de seu namorado. Ela começa a chorar ao ver aquela figura transparente, mas que não escondia o sorriso dele.
- Oi, amor. Senti sua falta. - diz Adriano.
- Eu também senti a sua.
- Me perdoe pelo que eu fiz. Eu nunca deixei de te amar. - Ele, se aproximando dela.
- E eu também não. Você vai voltar pra mim?
Aquela luz aparece novamente e anjo surge sorrindo para eles. era chegado o momento de Adriano escolher seu destino. então ele responde para ela, emocionado:
- Eu não posso. Talvez eu não volte como era antes. Já cumpri meu dever aqui. mas uma parte de mim vai estar sempre com você. - Ele coloca as mão sobre a barriga dela, se ajoelha e dá um beijo: - Cuida da mamãe, meu filho...por mim.
A figura de Adriano começa a desaparecer aos olhos de Michelle. ela está chorando, mas está feliz. Ela pode se despedir sem ficar mágoas e ressentimentos pendentes.
Um túnel de luz se abre em frente a Adriano. Ele sabe que é hora de partir. Mas antes, ele se vira para o anjo e pergunta:
- Foi você, não foi?
- Não sei do que você está falando. - Responde ele.
- Ela me viu. Foi você. Não precisa dizer mas, obrigado.
- Digamos que eu tenha ajudado um pouco. Mas vou ser punido por isso.
- Eu intercedo ao seu favor. - Diz Adriano sorrindo.
- Não se preocupe, rapaz. Eu fiz oque tinha que ser feito.
Os dois caminham em direção ao túnel de luz e desaparecem no ar. Naquele momento o coração de Adriano parou no leito do hospital. Um ciclo se encerra para que outro possa começar.


                                                                     FIM